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Fique Comigo, de Ayọ̀bámi Adébáyọ̀

  • Foto do escritor: Roberta Rocha
    Roberta Rocha
  • 27 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Fique Comigo, de Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, foi uma leitura que aconteceu numa crescente. Inicialmente, não me envolveu tanto, lia um capítulo por dia, sem grandes urgências. A narrativa, no começo, não deixava espaços tão angustiantes; havia uma descrição minuciosa dos cenários, dos contextos e de uma linha do tempo aparentemente linear, sem grandes emoções.


Até que a autora começa a adicionar camadas, assim como acontece na vida.


Vamos sobrepondo não ditos, projeções, medos, crenças, até formar um emaranhado que já não se sabe de onde começou e de que não sabemos como pode terminar.



O romance acompanha Yejide e Akin, um casal nigeriano que enfrenta a pressão para ter filhos em meio a um contexto profundamente marcado por tradições, expectativas familiares e silêncios. Quando a maternidade não acontece como esperado, segredos, decisões dolorosas e pactos difíceis tomam forma, revelando o quanto o amor pode ser atravessado por imposições sociais e feridas do passado.


A história de Yejide é marcada por negligências na infância. Ela cresce determinada a fazer diferente, faz escolhas para não repetir ou reviver a sensação de exclusão. Mas, após o casamento, começa a perceber o quão complexo é resistir ao que é imposto às mulheres pela cultura e pelas tradições.


Com delicadeza e profundidade, Ayọ̀bámi Adébáyọ̀ nos convida a olhar para o que é esperado das mulheres, especialmente no papel de mães e esposas, e para as formas silenciosas de resistência que habitam em nós, até um dia nos sucumbir.


Um livro que me convidou a refletir sobre o que é certo e errado quando as escolhas não são livres, mas atravessadas por medo, perda, desejo de pertencimento e amor.



Roberta Rocha


Psicóloga de meninas e mulheres | Terapeuta de casais e famílias | Facilitadora de encontros entre mulheres

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