Teia de Saberes, um tecido de responsabilidade e cuidado
- Roberta Rocha

- 31 de jan.
- 2 min de leitura
Essa foto é de 2017, ano em que fiz minha transição de carreira. Saí do mundo corporativo para habitar outro lugar de trabalho e de escuta.

No começo, eu queria fazer um mestrado. Ainda buscava a chancela da academia por ter me graduado numa universidade lida como de terceira linha por quem, do alto dos seus privilégios, define quais trajetórias são legítimas e quais saberes merecem reconhecimento.
Havia ali uma tentativa de pertencimento a um espaço que não foi para histórias como a minha.
Tinha muitas dúvidas, muitos medos e uma certeza: o feminismo. Não esse por conveniência. Muito barulho, muito brilho, pouca implicação. Depois de quase dez anos de pesquisa e vivências, caminho a partir do feminismo que busca emancipar as mulheres das imposições da nossa socialização, aquela que nos empurra para lugares violentos, exaustivos e indignos.
O que me traz aqui não é exclusivamente a psicologia ou o feminismo.
Eu cresci vendo minha mãe fazer isso sem teorias e sem diplomas. Fazendo com o corpo todo. Acolhendo a si própria e, depois, muitas mulheres. Porque fazer junto, em comunidade, é algo que mulheres, sobretudo periféricas, precisam inventar para sobreviver.
A Teia de Saberes é sobre história. As que estão nos livros, as que o nosso corpo conta, as que as mulheres nos confiam. Assim como numa teia não há sobreposição, aqui a gente se faz da gente. Das mulheres. Das que chamaram de histéricas, mas são históricas.
Hoje se encerram as inscrições da Teia de Saberes. Mais um ano ao lado de mulheres fazendo deste lugar: um tecido de responsabilidade e cuidado, com linhas que sustentam a ética e o comprometimento sócio-histórico e político da escuta clínica de mulheres.
Roberta Rocha
Psicóloga e Idealizadora da Teia de Saberes




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