Insisto no direito de cuidado e desejo
- Roberta Rocha

- 2 de mai.
- 2 min de leitura
Eu amo que minha profissão como psicóloga seja meu trabalho com mulheres e o feminismo.
Hoje era para estar trabalhando, mas fui cuidar das plantas, que cuidam de mim, sabe?
Mexer com a terra, plantar, replantar, regar, me faz muito bem. Me organizo internamente nesse processo que é um ritual de cuidado e bem-estar.
Faz bem pra mente, pro corpo, pra alma.
Mas não fico plena.
Não sinto essa tal completude vendida como promessa, como se fosse simples, acessível e uma escolha individual parar e escolher o que fazer em um feriado de folga.
Fui criada em uma comunidade onde ser mulher é uma função, ela cuida da sua casa, da casa de outra pessoa, das pessoas dessa casa e da sua também, mas não cuida de si. Não por desleixo ou preguiça, mas por exploração de um sistema patriarcal e capitalista. Talvez ela não saiba disso.
Muitas delas não têm nem tempo para questionar sua própria escala. Uma dessas mulheres já foi minha mãe, minha avó, minha tia, prima, vizinha, mulheres que escuto todos os dias, foram ensinadas a produzir e não sentir.
Então, eu questiono por elas, para que descansar deixe de ser privilégio e seja direito.
Na escala 6x1, o corpo da mulher é explorado no ambiente privado e público. Não há descanso em ser mulher nesta sociedade patriarcal e capitalista.
Minha avó, mãe, tia.. também cuidavam das plantas.
Talvez como mais uma tarefa silenciosa na rotina de uma dona de casa.
As plantinhas cuidavam delas, talvez não soubessem,
Ou talvez soubessem, sim.
Num lugar íntimo, preservado.
Um território que a exploração não conseguiu colonizar.
se o corpo é território
resisto e insisto no direito de cuidado e desejo.
Ro Rocha










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