Nenhuma de nós chega sozinha
- Roberta Rocha

- 17 de mar.
- 2 min de leitura

Assistindo à cerimônia do OSCAR, que por sinal parece literalmente um besteirol americano. Poderia ser um momento para trazer tantas pautas que as próprias produções apresentaram, mas não posso me iludir tanto.
Ainda assim, algo me chamou atenção.
Quando mulheres agradecem seus prêmios, agradecem outras mulheres.
Reconhecem que não chegaram ali sem apoio.
O ator que ganhou o OSCAR de melhor ator, Michael B. Jordan, pelo filme Pecadores, agradeceu sua ancestralidade e outras pessoas pretas, também reconhecendo que não teria alcançado aquilo sozinho.
Isso não é uma coincidência.
Quem não está no centro do poder sabe que a sobrevivência depende de redes, de quem veio antes e de quem caminha ao lado.
Na lógica patriarcal capitalista, o indivíduo impera. Mas não qualquer indivíduo.
Quem não ocupa esse lugar aprende cedo que fazer esse caminho sozinho não é uma possibilidade sustentável.
Entre mulheres, ao menos entre as que estão próximas de mim, há também um entendimento de poder que nasce do fazer juntas. Um fazer compartilhado, costurado ponto a ponto, que nos mantém vivas, lado a lado. Um poder que se constrói no coletivo, no reconhecimento das que vieram antes e das que seguem juntas no caminho.
Porque essa lógica de poder do patriarcado não transforma o mundo. Pelo contrário, cria disputas que colocam em risco a vida de quem não ocupa esses lugares de poder.
A revolução precisa ser das mulheres.
Das feministas.
Daquelas dispostas a fazer juntas.
A fazer com e para outras mulheres.
Para isso, precisamos ser mais estratégicas, mais organizadas. Não cair na tentação de discussões sem fim que, no final, lá na ponta, não movem a estrutura.
O desafio é não se distrair.
Roberta Rocha
psicóloga feminista
idealizadora da @teiadesaberespsi




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