Quem tem direito à memória?
- Roberta Rocha

- 26 de mar.
- 2 min de leitura

Hoje, em nossa série Mulheres Históricas, vamos entender por que é fundamental conhecer a história de Beatriz Nascimento.
Intelectual, historiadora, poeta, roteirista, professora, pesquisadora e ativista. Nascida em Aracaju, Sergipe, em 17 de julho de 1942, Beatriz foi uma figura singular do Movimento Negro Brasileiro.
“Audaciosa nas ideias, altiva na interlocução, lá estava ela vestida de dourado, parecendo uma manifestação de Oxum em terra.”
Foi assim que a filósofa Sueli Carneiro descreveu ela na Quinzena do Negro, na USP. Um momento que marcou, segundo ela, a afirmação da mulher negra como sujeito do conhecimento sobre seu próprio povo.
Primeiro, conheci Sueli Carneiro.
Depois, Beatriz Nascimento.
A mesma sensação de não ter conhecido antes se impõe e se desdobra em uma pergunta insistente:
quem tem direito à memória?
Apagar da história mulheres como Beatriz
é projeto de um sistema patriarcal e racista
que decide o que permanece
e o que deve desaparecer.
Antes, as mulheres eram queimadas vivas.
Hoje, as fogueiras são simbólicas
mas seguem acesas.
Ainda assim, Beatriz Nascimento fez da própria vida um manifesto.
Descolonizou o conhecimento.
Recontou a história a partir das mãos negras.
Reivindicou outras formas de existir, de pensar, de permanecer.
Beatriz foi brutalmente assassinada em 28 de janeiro de 1995, no Rio de Janeiro, aos 52 anos, vítima de feminicídio. Foi silenciada ao proteger e aconselhar uma amiga a sair de um relacionamento abusivo.
Ainda assim, sua obra e sua existência não cessam.
Beatriz Nascimento segue sendo uma das mais importantes intelectuais negras do século XX no Brasil.
Porque há existências que, mesmo quando tentam silenciar, continuam ecoando.
Conhecer mulheres históricas é romper silêncios.
É disputar o presente.
É construir o futuro.
A história das mulheres é ferramenta de emancipação.
Roberta Rocha
Psicóloga Feminista | Pesquisadora dedicada a escutar e escrever histórias de mulheres




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