Usar o que tenho a favor das mulheres é uma das estratégias que me sustentam
- Roberta Rocha

- 3 de mar.
- 2 min de leitura

Durante a semana que passou eu estava agoniada, desorganizada, desanimada.
Mandei mensagem para Gi da @historiadora.radical para falar sobre as últimas notícias de feminicídio.
Eu precisava dissolver o nó na garganta.
A notícia de um feminicídio não chega à estrutura que o sustenta.
Gera revolta.
Mas não chega a gerar revolução.
A gente se indigna e continua a sobreviver.
Mas isso cansa, nos consome, porque quando uma mulher é morta, a gente também morre um tanto junto.
E, para continuar sobrevivendo, para sustentar alguma esperança, mesmo sabendo que nas próximas horas outra mulher pode, abruptamente, parar de respirar, de abraçar seus amores, de sair para o trabalho, de dançar, de sentir a chuva, é preciso ter aliadas.
Aliadas para conversar.
Para criar imagens de possibilidades.
Para resistirmos e existirmos com dignidade.
Ficar apenas na estatística não nos ajuda de forma efetiva.
Não inibe aquele que cresce com a certeza de que o corpo de uma mulher é sua posse.
De que existe para servir.
Para dar prazer.
E que, se não lhe serve mais, não merece viver.
Precisamos falar de formas de emancipação das mulheres frente ao que nos é imposto.
E, para isso, vamos precisar de estratégia.
Usar o que tenho a favor das mulheres é uma das estratégias que me sustentam.
Eu sei, não sou ingênua nem excessivamente esperançosa. Um ato isolado não muda uma sociedade.
Por isso insisto em dizer e em viver entre mulheres.
Não apenas no ativismo.
Na luta.
Quando possível, quero viver também momentos de riso.
Cada ação se soma.
Especialmente quando encontra políticas públicas sérias.
Quando há mais mulheres em espaços de decisão.
Quando há organização coletiva.
Se o sistema é estrutural, a nossa resistência também precisa ser, para que possamos estruturar outras formas de existir.
Com quais mulheres você tem construído resistência no seu cotidiano?




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