top of page

VIROU POESIA, PAI



Foi numa sexta


de sol,


céu azul,


que você partiu.



Onze anos depois,


sexta-feira,


sol e céu azul lá fora.


Aqui dentro,


desta vez,


nublado.



Aprendi com você


a dar palavra ao que sinto,


a transformar angústias,


desejos, medos


em poema.



Hoje escrevo


o que palavra alguma


consegue contornar.


Confortar.


Confrontar a dor da partida,


marcada, ano a ano,


no calendário.



A vida repartida


pelo luto,


este percurso que ora é


como um mar manso,


ora como um vendaval,


daqueles impiedosos


que já vivemos juntos.



Desta vez,


não tem você.


Você aqui.



Mas vai passar.



Porque eu fecho os olhos


e me lembro do seu olhar,


e sei que vai passar.



E vira brisa.



Porque a vida


vivida com você


virou poesia, Pai.



Por Roberta Rocha ⭐️


Comentários


bottom of page