VIROU POESIA, PAI
- Roberta Rocha

- 24 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Foi numa sexta
de sol,
céu azul,
que você partiu.
Onze anos depois,
sexta-feira,
sol e céu azul lá fora.
Aqui dentro,
desta vez,
nublado.
Aprendi com você
a dar palavra ao que sinto,
a transformar angústias,
desejos, medos
em poema.
Hoje escrevo
o que palavra alguma
consegue contornar.
Confortar.
Confrontar a dor da partida,
marcada, ano a ano,
no calendário.
A vida repartida
pelo luto,
este percurso que ora é
como um mar manso,
ora como um vendaval,
daqueles impiedosos
que já vivemos juntos.
Desta vez,
não tem você.
Você aqui.
Mas vai passar.
Porque eu fecho os olhos
e me lembro do seu olhar,
e sei que vai passar.
E vira brisa.
Porque a vida
vivida com você
virou poesia, Pai.
Por Roberta Rocha ⭐️




















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